Os seminaristas da Diocese de Colatina que estão na etapa da configuração, Carlos Daniel de Souza Martins, Cassiano Mendes de Oliveira e Vinicius Mantovani Rampineli, participaram do Seminário de Iniciação à Vida Cristã com Seminaristas, entre os dias 15 e 17 de julho, na casa de Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF).
O encontro, que contou com a participação de mais de 200 seminaristas de todo Brasil, teve como tema: “A Catequese na Formação do Futuro Presbítero” e procurou apresentar indicações para a transmissão da fé às novas gerações.
“Frente aos desafios missionários de hoje, a catequese se apresenta como formadora de discípulos missionários realmente comprometidos com Jesus Cristo e o anúncio do Reino de Deus. A meu ver, esse seminário serviu para reforçar a importância da Iniciação à Vida Cristã como um caminho de aprofundamento e amadurecimento na fé em vista da relação pessoal com Cristo e com a comunidade eclesial”, destacou Carlos Daniel, seminarista do quarto ano de Teologia.
A realização do Seminário de Iniciação à Vida Cristã foi organizada pela Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, com apoio da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, do Organismo dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), das Pontifícias Obras Missionárias (POM), e do Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE).
Para Vinicius, do segundo ano de Teologia, a participação no Seminário foi enriquecedora e significativa: “através das conferências, oficinas e debates tivemos acesso a reflexões que nos capacitam e nos motivam a cooperar com a catequese em nossa Diocese, mais especificamente nas paróquias onde desenvolvemos nosso estágio pastoral”.
Cassiano, que está no terceiro ano de teologia e que acompanha os trabalhos da catequese na Diocese de Colatina, ressaltou que as reflexões revelam a importância do caminho da Iniciação a Vida Cristã na formação do futuro presbítero: “O Seminário que participamos proporcionou um contato e conhecimento maior sobre cada tempo e etapa do processo de Iniciação à Vida Cristã”, disse, citando as dimensões do Querigma, Catecumenato, Purificação e Iluminação, e Mistagogia.
Além dos seminaristas da Diocese de Colatina, participaram outros quatro seminaristas do Regional Leste 3, representando as dioceses de São Mateus, Cachoeiro de Itapemirim e a Arquidiocese de Vitória. Junto com os seminaristas, estava Dom Andherson Franklin, bispo auxiliar da arquidiocese e membro da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB.
ÚLTIMO DIA DO SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ COM SEMINARISTAS REFLETIU SOBRE CATEQUESE E CULTURA DIGITAL
Dom Leomar Antônio Brustolin, presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, destacou que o encontro faz parte de um processo que está envolvendo seminaristas, leigos e leigas e presbíteros para fortalecer a iniciação à vida cristã no Brasil. Trata-se, segundo ele, de encontrar caminhos novos para comunicar a fé com as novas gerações em tempos tão complexos como, por exemplo, com o uso da inteligência artificial.

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre, mas como comunicar o Evangelho, o Reino e como integrar na comunidade crianças e jovens de hoje? Precisamos revisar toda a nossa prática pastoral com os padres, a prática catequética. Veja quantas crianças deixam de vir à Igreja depois que terminam a primeira comunhão e a crisma, isso é sinal de que a catequese não ocorreu. E nós não estamos revisando isso, nós estamos continuando com as mesma práticas religiosas”, questiona.
O arcebispo de Santa Maria salienta que é, nesse contexto de mudanças, que a iniciação à vida cristã se torna ainda mais importante. E destacou que a Comissão tem refletido e formado seminaristas, padres e catequistas como parte de um processo. “Nós estamos alinhando todos os processos para que possamos chegar à comunicação da fé”, disse.
“Uma das preocupações dos bispos é como melhorar a formação dos futuros presbíteros num tempo que é novo. Nós não podemos preparar presbíteros para responder com respostas velhas a perguntas novas, tem novas perguntas aparecendo, tem situações inéditas, então precisamos nos preparar”, finalizou.
O professor Moisés Sbardelotto foi convidado a falar sobre a temática “catequese e cultura digital”. Ele tratou sob as perspectivas da comunicação da fé e da comunicação da fé na cultura digital e suas interfaces. Em sua fala, ponderou que a cultura digital vem fazendo parte da cultura da Igreja já a bastante tempo e que o próprio Papa Francisco aborda a temática em seus documentos.
“O Papa fala sobre uma Igreja em Saída e também diz que entre essas estradas estão também as digitais”, diz.
O professor aponta para o fato de que o que acontece nos ambientes digitais afeta diretamente a vida das pessoas, tanto positivamente quanto negativamente e que “a presença da Igreja é crucial nesses ambientes”.
Ele também apresentou aos seminaristas dados de uma pesquisa que traz o número de celulares ativos no Brasil (210 milhões); o número de usuários frequentes na internet (187 milhões) e o número de usuários de redes sociais e tempo gasto na internet. “Fazemos parte de uma cultura amplamente digitalizada”.
E incentivou os seminaristas a discernirem sobre o consumo desenfreado das plataformas de redes sociais e do uso de dados. Estimulou também a formação de cristãos com consciência crítica sobre essa cultura. “A Catequese e a Cultura Digital podem ser pensadas na rede, sobre a rede e a partir das redes”, ponderou.
Frei Augusto Luiz Gabriel, com informações do seminarista Carlos Daniel e CNBB






