A fé do povo capixaba ganha um significado ainda mais profundo ao unir duas grandes expressões da espiritualidade cristã: a Festa da Penha e o Domingo da Misericórdia.
Neste contexto, nosso bispo diocesano, Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa, celebrou a Eucaristia no Campinho do Convento da Penha, reunindo presbíteros, religiosos, seminaristas e romeiros, em um clima de fé e compromisso. Em sua homilia, destacou que a paz de Cristo e o perdão são caminhos concretos para a cura das feridas do mundo, especialmente neste Segundo Domingo da Páscoa — o Domingo da Misericórdia —, convidando todos a abrirem o coração à ação de Deus e a se tornarem sinais vivos de reconciliação, esperança e amor no cotidiano.
Inspirado pelo Evangelho do dia (Jo 20,19-31), Dom Lauro recordou que Jesus Ressuscitado entra no meio dos discípulos, mesmo com as portas fechadas, e lhes oferece a paz. “A paz esteja convosco” não é apenas uma saudação, mas um dom que transforma, cura e envia à missão. A partir desse encontro com o Ressuscitado, destacou que a misericórdia de Deus se manifesta de forma concreta na vida daqueles que se deixam tocar por sua graça. Assim como os discípulos foram enviados, também hoje cada cristão é chamado a ser portador da paz, especialmente em meio às realidades marcadas pela dor, pela divisão e pela falta de esperança.
A celebração do Domingo da Misericórdia, instituída por São João Paulo II, reforça esse convite à confiança no amor de Deus, que nunca se cansa de perdoar. Nesse sentido, o bispo recordou que o perdão não é sinal de fraqueza, mas de força espiritual, capaz de restaurar relações e gerar vida nova. Dentro do contexto da Festa da Penha, essa mensagem ganha ainda mais profundidade. Aos pés de Nossa Senhora, os fiéis são convidados a entregar suas dores, angústias e intenções, confiando na intercessão daquela que, com ternura de mãe, conduz todos ao encontro com Cristo.
Em sua reflexão, Dom Lauro relacionou diretamente a liturgia do domingo com o tema da Festa da Penha, fazendo do perdão uma exigência concreta da fé cristã. “Não basta celebrar a ressurreição, é preciso torná-la visível”, afirmou, insistindo que a paz recebida deve se transformar em compromisso. Para ele, ser instrumento da paz significa recusar a lógica da violência, da guerra e da vingança. “A violência não pode ser a última palavra”, disse, recordando que a resposta cristã às feridas do mundo é o perdão que vem de Cristo e se faz gesto concreto no cotidiano.
Ao comentar a figura de São Francisco de Assis, cujo jubileu dos 800 anos de seu trânsito foi lembrado ao longo da Festa da Penha, o bispo destacou que o santo viveu a paz como estilo de vida, missão e escolha radical. “Ele cultivou aquela perfeita alegria numa vida de simplicidade, de pobreza, de serviço, de missão, de solidariedade com toda a humanidade ferida”, ressaltou. Em sintonia com o tema geral da festa, “Fazei de nós instrumentos da paz”, Dom Lauro apresentou São Francisco como testemunha de um cristianismo que não se apoia no triunfalismo, mas na humildade do Evangelho.
Ao longo da homilia, o bispo fez ainda um apelo concreto à conversão pessoal e comunitária. Recordou que o Pai Nosso ensina a todos a rezar como irmãos, sem distinção de raça, cultura, religião ou posição social. “O Pai Nosso nos ensina isso: somos todos irmãos”, frisou. Segundo ele, a paz começa quando se vive o Evangelho na prática, com obras de misericórdia, partilha do pão, cuidado com os pobres e compromisso com a justiça. “Não é uma paz ingênua, é uma paz de quem sabe que o mundo está marcado por injustiças que devem ser vencidas, mas não com os instrumentos da violência, e sim com os instrumentos do Evangelho”, concluiu.
Ao final, Dom Lauro deixou uma palavra de gratidão pela acolhida e pelo testemunho de fé dos romeiros que, com forte presença e vindos de diversas regiões, expressaram a beleza de uma Igreja viva, que caminha unida na fé e na esperança. A celebração no Campinho do Convento da Penha tornou-se, assim, um verdadeiro testemunho de comunhão, onde diferentes vocações e histórias se encontram sob o olhar amoroso de Deus.
A Diocese de Colatina se une a todos os peregrinos que participam desta grande celebração, confiando à intercessão de Nossa Senhora da Penha as intenções de todo o povo e pedindo que a misericórdia de Deus continue a transformar vidas e a fortalecer a caminhada de fé.
Por Comunicação Diocesana
Imagens: Comunicação Festa da Penha














