Encontro Intercultural de Jovens reúne participantes na Aldeia Irajá – Paróquia Imaculada Conceição
Entre os dias 13 a 15 de março, a Aldeia Irajá, no território indígena em Aracruz (ES), acolheu o Encontro Intercultural de Jovens (EIJ), reunindo cerca de 60 jovens de diversas comunidades da Paróquia Imaculada Conceição (Coqueiral de Aracruz), além de participantes da Paróquia Sagrada Família – Carlos Germano Naumann (Colatina) e da Paróquia São Paulo Apóstolo – Bebedouro (Linhares)
Realizado em parceria com a Pastoral Indigenista — instrumento da Igreja Católica que atua em favor dos povos originários — o encontro teve como tema “A esperança que nasce das raízes” (Jó 14,7-9), convidando os jovens a refletirem sobre a força da vida que brota da história, da cultura e da espiritualidade dos povos.
A programação teve início na sexta-feira (13) com um momento de acolhida conduzido pelo Padre Suderlan, pároco e coordenador da Pastoral Indigenista, que manifestou sua alegria pela realização do encontro e pela presença dos jovens na aldeia. Em sua saudação inicial, destacou a importância do diálogo, da escuta e da abertura ao aprendizado com as culturas originárias.
Também acolheram os participantes as jovens Ana Cláudia e Yasmin, do povo Tupinikim e coordenadoras do encontro, que expressaram a alegria de receber os visitantes e ressaltaram desde o início a importância do respeito à cultura indígena, às tradições e ao modo de vida das comunidades. Ana Cláudia relata:
Para mim, como organizadora, é uma grande alegria e realização ver esse encontro acontecer e alcançar seu objetivo. Cada detalhe da programação é pensado para que os jovens possam conhecer, valorizar e respeitar a cultura indígena, sentindo-se representados e tocados por essa experiência. Acredito que o EIJ planta uma semente uma raiz que está sendo fincada na terra. E dessa raiz nascerão frutos que irão se espalhar através dos jovens, levando conhecimento, respeito e valorização dos povos originários para além do encontro.
Ainda na sexta-feira, os participantes puderam vivenciar uma noite cultural Tupinikim, onde foram recebidos pela cacica da Aldeia Irajá – Marcela, o vereador indígena Vilson Jaguareté da aldeia de Caieiras Velhas e do Bruno, presidente da associação dos moradores da Aldeia Irajá. Todos manifestaram a alegria da realização do evento. Também ocorreu uma apresentação cultural do Congo Tupinikim e uma visita à Casa de Cerâmica, onde conheceram o trabalho artesanal realizado por mulheres e homens indígenas da comunidade, expressão viva da tradição e da identidade cultural do povo.
No sábado (14), a programação continuou com diversas atividades de imersão cultural e formativa. Os jovens tiveram a oportunidade de conhecer o Rio Piraquê-Açu, lugar de grande importância para os povos indígenas da região, tanto pela sua dimensão ambiental quanto espiritual e histórica.
Também houve momentos de formação e partilha cultural. Foram apresentadas reflexões sobre a etnia Pataxó, destacando diferenças culturais em relação ao povo Tupinikim, além da apresentação de danças e músicas tradicionais.
Outro momento importante foi a fala de Paulo Tupinikim, que recordou aspectos da luta pela conquista e garantia das terras indígenas, explicando também aos jovens temas atuais como o ATL (Acampamento Terra Livre) e o debate sobre o marco temporal, que envolve os direitos territoriais dos povos originários.
Durante o dia, os participantes também puderam experimentar e conhecer os jogos indígenas, proporcionando um momento de integração, aprendizado e valorização das práticas culturais tradicionais.
O encontro foi encerrado no domingo (15) com a Santa Missa, presidida pelo Padre Suderlan. Em sua reflexão, em ligação com a Liturgia da Palavra do domingo, destacou que a experiência vivida durante o encontro ajudou os jovens a abrirem os olhos para novas realidades.
Segundo ele, aqueles dias foram uma oportunidade de adquirir novas luzes para enxergar melhor o mundo, conhecer outras culturas e crescer na fraternidade e no respeito entre os povos.
O Encontro Intercultural de Jovens (EIJ) tornou-se, assim, um espaço de diálogo, formação e convivência, fortalecendo a consciência missionária e o compromisso com a valorização das culturas indígenas, sinal concreto de uma Igreja que caminha com os povos e aprende com suas raízes.
Texto e Imagens: Paróquia Imaculada Conceição (Coqueiral de Aracruz).













