“Fazei tudo o que Ele vos disser…” (Jo 2,5)
Entre os dias 9 e 13 de março, os presbíteros da Diocese de Colatina participaram do retiro espiritual anual, realizado no Instituto Espírito Santo de Inovação Social (IESIS), em Ibiraçu/ES. Vivido em sintonia com o tempo quaresmal, o encontro foi marcado por momentos de oração, silêncio, escuta interior e conversão, fortalecendo a espiritualidade e a comunhão entre os sacerdotes.
Também participaram do retiro o diácono eleito Carlos Daniel e o seminarista Cassiano Mendes de Oliveira.
A condução espiritual ficou a cargo de Dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM), que orientou as reflexões a partir do episódio das Bodas de Caná (Jo 2,1-11). Ao longo dos dias, o pregador apresentou esse texto bíblico como um verdadeiro itinerário espiritual para o ministério presbiteral.
O retiro teve início com a Santa Missa no dia 9 de março, presidida por Dom Vanthuy e concelebrada pelo bispo diocesano Dom Lauro Sérgio Versiane Barbosa. Em um momento de partilha, Dom Vanthuy também apresentou seu testemunho missionário na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, região do Rio Negro, considerada a mais indígena do Brasil, destacando os desafios e a riqueza de uma Igreja profundamente inculturada e missionária.
Espiritualidade inspirada nas Bodas de Caná
Durante as meditações, os presbíteros foram convidados a contemplar diferentes aspectos do Evangelho das Bodas de Caná, aprofundando temas como filiação, discipulado, serviço, fé e missão.
Nas primeiras reflexões, Dom Vanthuy destacou a presença de Maria no início do ministério de Jesus, recordando que Cristo se apresenta antes de tudo como Filho: Filho de Deus e Filho de Maria. A partir dessa perspectiva, os presbíteros foram convidados a revisitar suas próprias origens: a família, a vocação e o “amor primeiro” do chamado de Deus.
A meditação também ressaltou a importância da vida fraterna no presbitério, recordando que o sacerdote é chamado a viver sua vocação em comunhão com os irmãos, cultivando relações marcadas pelo cuidado mútuo e pela sinodalidade.
Outro momento marcante foi a reflexão sobre a “escola dos servos”, inspirada nos personagens que, nas Bodas de Caná, obedecem à palavra de Jesus e enchem as talhas de água. A partir desse gesto simples, os presbíteros foram convidados a compreender que o ministério sacerdotal é essencialmente serviço, vivido com gratuidade e humildade.
Durante a meditação, uma palavra ressoou com força: “transbordar”. A vocação presbiteral não se limita ao mínimo ou ao cumprimento das obrigações, mas é chamada a transbordar amor, generosidade e entrega, à semelhança do vinho novo que nasce do sinal realizado por Jesus.
Chamados a servir com amor
As reflexões também conduziram os sacerdotes a contemplar o mistério da Paixão de Cristo, recordando que o presbítero é chamado a permanecer próximo dos crucificados de cada tempo, levando esperança e consolação aos que sofrem.
Em outro momento, os participantes refletiram sobre o dom da fé, recordando que, no Evangelho de João, a fé nasce do encontro pessoal com Cristo e se fortalece na vida comunitária. Inspirados no exemplo do Beato Padre Antônio Chevrier, os presbíteros foram convidados a conhecer cada vez mais Jesus Cristo, configurando sua vida ao Senhor.
Ainda durante o retiro, os sacerdotes viveram uma Celebração Penitencial, experimentando profundamente a misericórdia de Deus. O encontro com o perdão renovou em cada um a alegria de ser ministro da reconciliação.
A última meditação conduziu os presbíteros ao mistério da Eucaristia, apresentada como verdadeira escola da gratuidade, onde se aprende a servir e a doar-se sem medida. Após a reflexão, os participantes viveram um momento de “Conversa no Espírito”, partilha realizada em clima de oração e escuta, buscando discernir os apelos de Deus para a vida e a missão.
Missa de encerramento
O retiro foi concluído com a Santa Missa presidida por Dom Lauro Sérgio Versiane Barbosa, no Santuário Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu.
Em sua homilia, o bispo destacou a riqueza espiritual dos dias vividos e convidou os presbíteros a contemplar o mistério de Cristo nas Bodas de Caná, recordando que o ministério de Jesus se revela na compaixão, no serviço e na solidariedade.
“O retiro é sempre um tempo de graça para renovar o coração do pastor e recordar que a nossa missão nasce do encontro com Cristo”, destacou Dom Lauro.
Inspirando-se na reflexão de São João Paulo II, o bispo recordou que Cristo, ao participar da festa de Caná, realiza seu esvaziamento (kenosis) e revela o caminho do verdadeiro serviço. “É nesse esvaziamento que Ele se faz servo, exerce a sua diaconia, enquanto os discípulos vivem a koinonia, participando da comunhão e da sinodalidade da Igreja”, afirmou.
Assim, o sacerdote é chamado a viver sua missão à luz da diaconia, da comunhão e da sinodalidade, colocando-se sempre a serviço do povo de Deus. “Somos chamados a ser pastores que caminham com o povo, servindo com humildade e alimentando a esperança nas comunidades”, acrescentou.
Dom Lauro também comentou as leituras da liturgia do dia, destacando o profeta Oseias (Os 14,2-10), a quem chamou de “o profeta da ternura, da compaixão e da misericórdia”. A partir dessa passagem, recordou o convite de Deus para “voltar ao primeiro amor, voltar à nossa filiação e reacender o ardor missionário de uma Igreja em saída.”
Relacionando a Palavra de Deus com a realidade da Diocese, o bispo recordou ainda os três eixos do Projeto Diocesano de Pastoral: Missão, Formação e Acolhida.
Por fim, ao comentar o Evangelho de Marcos (Mc 12,28b-34), destacou o diálogo de Jesus com o escriba e o mandamento maior do amor. “Jesus nos convida não apenas a amar a Deus, mas também o próximo. Amar com todo o coração e entendimento, e amar o próximo como a si mesmo: os pequenos, os pobres, os tristes e aqueles que estão afastados da fé”, recordou.
Ao final do retiro, os presbíteros retornaram às suas comunidades renovados espiritualmente e fortalecidos na fraternidade presbiteral, dispostos a continuar sua missão com fidelidade e esperança.
Texto e imagens: PASCOM Diocesana 









