Por uma Igreja missionária e evangelizadora

Sabemos que a sociedade moderna atravessa um momento de crise profunda de fé, embora uma grande parte da humanidade ainda tenha fome e sede de Deus. Podemos nos perguntar, quantos são hoje os cristãos no mundo inteiro? As estatísticas religiosas não são muito exatas, porque em muitos países os cristãos são perseguidos ou os governos não incluem a religião no censo. Aproximadamente, estima-se o número atual de cristãos em dois bilhões, menos da terça parte da humanidade, estimada em 7,2 bilhões de pessoas. Entre os cristãos, os católicos são a maioria, superando um bilhão. Mas quantos destes que foram batizados na Igreja Católica são realmente evangelizados e são discípulos missionários de Jesus Cristo? Quem vai evangeliza-los? E o mais desafiador e preocupante, é a outra grande parte da humanidade que ainda não ouviu falar do Evangelho.

É certo que não é suficiente percebermos a necessidade da missão, mas é fundamental uma tomada de consciência para que toda a Igreja, e nela cada batizado, seja o sujeito da missão, e reconheça a necessidade de uma formação permanente. Fica, pois, muito claro que toda a Igreja tem a necessidade urgente de ser missionária.

Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo, muitas vezes, sua pertença eclesial a momentos rituais. É preciso ser um fermento na massa, embora minoria, falando e vivendo os valores do Evangelho para transformar as estruturas da sociedade.

Nossa fé cristã deve ser interiorizada e contextualizada  em nossa vida e nos ambientes em que vivemos. Isto pode parecer evidente  desde o ponto de vista teórico, porém, devemos iniciar uma análise objetiva do modo o qual o mandato missionário de Cristo é cumprido por nós, para ver quanto é difícil passar da palavra  à ação, e abandonar os antigos métodos e  práticas que eram instrumentos poderosos para a evangelização no passado, porém que não falam aos novos desafios de um mundo globalizado, em mudança de época.

O documento de Aparecida nos ilumina, afirmando que  o ponto de saída para uma eficaz evangelização, deve ser a partir de Jesus Cristo. Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guarda-lo para si; precisa anuncia-lo. É necessário um novo impulso missionário, vivido como compromisso diário das comunidades e de cada um.

O Concílio Vaticano II, inspirado pelo Papa João XXIII e por Paulo VI, decidiu olhar para o futuro com um espírito novo e abrir-se à cultura moderna. O Papa Francisco em uma de suas entrevistas, afirmou que os padres conciliares sabiam que essa abertura passava pelo ecumenismo religioso. ¨Eu tenho a humildade e a ambição de o querer fazer¨. Certamente é preciso agregar e somar forças, para superar essa realidade tão desafiadora, é preciso também, uma conversão pastoral, pois,  desde o Concílio pouco foi feito nesta direção.

É urgente que cada cristão sinta-se interpelado por esta tarefa que a identidade batismal lhe confia, que se deixe guiar pelo Espírito, segundo a própria vocação, na resposta a tal missão.

Seja missionário!  Seja evangelizador!

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias.

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