Palavra do Bispo

O Bispo é pastor em Cristo

Foi com imensa alegria e satisfação que aceitei o chamado do Santo Padre Francisco,  nomeando-me Bispo Titular da Diocese de Colatina, no último dia 04 de março, quando completei 3 anos de ordenação episcopal.

Tenho consciência de que o Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas, de geração em geração, vai chamando, escolhendo ministros e concedendo, através do Espírito Santo, as graças necessárias para o exercício do ministério episcopal.

O Pastor dos pastores é o próprio Cristo.

Alguns anos atrás, ouvi do Santo Padre Bento XVI essas palavras encorajadoras dirigidas a dois novos bispos, e as guardei no coração, ¨ O bispo também deve ser um homem inquieto, que não se satisfaz com as coisas rotineiras deste mundo, mas segue a inquietação do coração;  deve ser um homem vigilante, que percebe a linguagem sutil de Deus e sabe discernir a verdade da aparência; deve ser repleto da coragem e da  humildade; deve ser capaz de ir à frente, indicando o caminho, seguindo Aquele que a todos nos precedeu, Jesus Cristo¨.

Louvo e agradeço o Senhor por me enviar em tão bela missão, para a qual me apresento como aquele que serve, confiando na assistência do Espírito Santo.

São conhecidos o entusiasmo e a vitalidade da caminhada eclesial que a Diocese de Colatina vem conquistando ao longo de seus 25 anos e mais particularmente agora, em pleno século XXI, experimentando os desafios de uma mudança de época, e as exigências de uma conversão pastoral.

Como Administrador Apostólico da Diocese de Colatina  desde 14 de maio de 2014, tomei conhecimento do Projeto Diocesano de Evangelização 2013- 2016, ¨Ser uma Igreja fortalecida na fé, samaritana e dinâmica na sua missionariedade, ad intra e ad extra, com lideranças renovadas¨ e agora, pela Graça de Deus, continuo  a fazer parte dessa caminhada, na esperança de evangelizar e servir, desejando exercer o meu ministério episcopal conforme o coração de Cristo.

Chego com o coração aberto e solícito para acolher a todos e saúdo como pastor e irmão: os presbíteros, diáconos, consagrados  e consagradas, seminaristas, leigos e leigas, autoridades constituídas, os irmãos de outras denominações cristãs e a todas as pessoas de boa vontade que procuram de coração sincero a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Coloco sob a proteção de Maria Santíssima, Senhora da Saúde, a missão a mim indicada, no desejo de servir, de forma inteira, ao Povo de Deus presente nesta Igreja Particular que aprendi a amar como Administrador Apostólico por 10 meses.

Envio a todos a minha bênção.

Dom Joaquim Wladìmir Lopes Dias

Bispo eleito da Diocese de Colatina/ES

QUARESMA

Ao se confessar o homem reconcilia-se com Cristo

Trataremos, neste artigo, a respeito do sacramento da confissão, também chamado de sacramento da Penitência, do Perdão, da Reconciliação.

Os batizados são chamados a viver esse sacramento, pois embora no batismo o homem renasça em Cristo para viver na santidade, a fragilidade da natureza humana e a inclinação para o pecado não foram suprimidas. Desta forma, Cristo instituiu o sacramento da confissão para a reconciliação dos batizados, os quais d´Ele se afastaram devido ao pecado.

Esse sacramento foi instituído no domingo da Páscoa, quando Jesus apareceu aos apóstolos e lhes disse: ¨Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes serão retidos¨. ( Jo 20, 22-23). O Senhor transmitiu aos Seus apóstolos a força do Espírito Santo, na qual Ele perdoava os pecados. Dessa forma, quando nos dirigimos a um sacerdote para confessarmos nossos pecados, caímos nos braços da misericórdia do Pai.

De acordo com as orientações da Igreja Católica, os fiéis devem se confessar individualmente pelo menos uma vez ao ano, por ocasião da Páscoa.

Aqui, é necessário deixar claro que a Igreja nos pede que façamos Páscoa. Assim, para um cristão consciente e que deseja levar a sério sua religião, a celebração da misericórdia deve ser constante e ainda maior a sua participação na Eucaristia, principalmente aos domingos, dia do Senhor.

Enfim, pela confissão o homem reconcilia-se com Cristo, com a Igreja e com os irmãos, é, portanto, um sacramento de cura, de recomeço de uma vida de santidade, de acolhimento nos braços do Pai. Assim, como ensinado por São João Maria Vianney, o Cura D´Ars, depois de cada pecado reconhecido, e confessado, ressuscitamos. A confissão concede ao homem a oportunidade de uma vida nova por meio da misericórdia de Cristo.

Aproveite esta Quaresma, tempo favorável para conversão e mudança de vida, e com o coração contrito, desejando uma caminhada nova, faça uma boa confissão.

Deus lhe abençoe.

Dom  Joaquim Wladimir Lopes Dias

Administrador Apostólico da Diocese de Colatina

Uma fonte segura

Muitas pessoas de mais idade costumam lembrar o tempo em que as coisas eram feitas para durar, um tempo em que o estilo de vida de avós, filhos e netos era mais semelhante. É claro que uma geração costuma sempre ser diferente da outra. No entanto, percebe-se que hoje os comportamentos mudam com muita rapidez e fica mais difícil para os pais entenderem o estilo de vida e as aspirações dos filhos. Em mudança de época, algumas mudanças bem positivas, outras carregadas de riscos, estão ocorrendo nas relações familiares, no questionamento das autoridades tradicionais e em outros níveis.

Mas há uma lei da física que também se aplica às experiências humanas: a toda ação corresponde uma reação, de igual intensidade e sentido contrário.

É difícil traçar um retrato do mundo em que vivemos, pois a realidade tem muitos aspectos e é cheia de contrastes.

Hoje valoriza-se muito a liberdade de pensamento ao mesmo tempo que estamos expostos a mecanismos poderosos de massificação; atingimos uma considerável evolução na consciência de Direitos Humanos e assistimos ainda a escandalosas violações desses mesmos direitos; estimula-se exageradamente o consumo, enquanto grande parte da população se endivida e sofre escravo do sistema financeiro; cresce o voluntariado ao lado de uma competição desumana regida pelas leis do mercado; a comunicação é globalizada, mas é enorme a massa de pessoas que não sabe ler e reler o mundo em que vive; ansiamos profundamente pela paz e estamos cercados de notícias trágicas de violência por causas banais.

É difícil traçar um retrato do mundo em que vivemos também, pois tudo muda muito rapidamente. Já se disse que em nossa época as pessoas serão famosas por 15 minutos. Os grandes projetos de vida e ideais ficaram menores, as novas gerações não sabem o que esperar do futuro, uma parte da juventude não tem projeto de vida. É a passagem do projeto de vida a uma vida em episódios. Há muita gente adulta também desiludida, vendo a vida transcorrer numa direção que não era a dos seus sonhos. Vivemos processos de fragmentação da vida humana.

A frase mais ouvida hoje é ¨não tenho tempo¨, assim fica difícil aprofundar conhecimentos, posturas. Há um excesso de estímulos para atrações de pouca duração; até o mercado trabalha com um planejamento que leva em conta que o produto campeão de hoje terá pouco tempo de sucesso e deve ser logo substituído por outra novidade.

A crise da autoridade e a mudança no modo de viver e encarar a vida provocam uma desorientação, que por sua vez, gera busca de segurança.

Diante de uma realidade cheia de contrastes a fé religiosa vem se mantendo como uma fonte verdadeiramente segura. Assim, em vez de termos, como muitos haviam previsto, o declínio da religião, vemos uma procura sedenta e intensa das mais variadas formas de busca do sagrado.

Constatamos cada dia mais que quando anunciamos Jesus Cristo e oferecemos um espaço, uma bela programação para esse encontro, as pessoas aderem e perseveram, encantadas pela mensagem libertadora do Evangelho e pela experiência salvífica do encontro.

O desejo de Deus é latente no coração do homem, e é Nele que encontramos o caminho e as respostas para atravessarmos os obstáculos da História.

Dom Wladimir

Administrador Apostólico

Diocese de Colatina

Domingo é dia de missa, mesmo nas férias

Este tempo de férias, lazer e viagens é um tempo merecido e importantíssimo. Aliás, há quem considere que seja dever nestes tempos de tanta correria descansar e espairecer, para superar o estresse, o cansaço e encontrar motivações sólidas para enfrentar o ano novo.

A família também adquire uma nova disposição salutar ao se reunir para conviver e passear. Reforça os laços afetivos, integra e gera alegria e paz. Hoje é ponto pacífico que, além do descanso semanal, haja um período anual de férias, garantido pelas leis trabalhistas.

O repouso semanal, do qual deriva o direito ao descanso anual de 30 dias, vem do descanso sabático judaico, do qual se origina o sentido modificado do descanso dominical cristão.

O motivo mais importante é que Jesus Cristo ressuscitou no Domingo, inaugurando  a ¨nova Criação¨ libertada do pecado. Assim o Domingo (dominus, Dia do Senhor) é a plenitude do Sábado Judaico.  Os apóstolos celebravam a Missa ¨no primeiro dia da semana¨; isto é, no Domingo (At 20,7). O sábado judaico foi substituído pelo domingo, o dia do Senhor. O sábado marca o fim da obra da criação e o domingo marca a redenção e a nova criação em Cristo e no Espírito.

Com a secularização do domingo e dos feriados religiosos, com exceção dos praticantes, a população católica perdeu o significado da santificação do trabalho e o sentido espiritual do repouso. Por isso, hoje se reconhece a necessidade de recuperar, no anúncio da fé e na catequese, o simbolismo teológico-espiritual do Dia do Senhor.  Para o católico, o domingo integra todas as dimensões da existência, especialmente a celebração da Igreja em Cristo, presente na Palavra e na Eucaristia e no encontro dos fiéis, até na visitação aos doentes e aos demais. Quanto à missa, não se trata de um simples cumprimento de preceito exterior, mas brota do sentimento de pertença e vivência batismal. Ele está no meio de nós. Por isso, a celebração dominical é sempre festiva e redentora. Participe da celebração dominical, mesmo em viagem, pois  existe sempre uma comunidade eclesial perto de você.

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias

Administrador Apostólico da Diocese de Colatina

Jesus, o Príncipe da Paz

O mundo clama e anseia por paz. Centenas e milhares de pessoas enchem as ruas em manifestações pela paz. Sensível a esse clamor popular e fruto de uma profunda reflexão sobre os motivos da violência, a Diocese de Colatina lançou no primeiro domingo do Advento, 30 de novembro, o Ano da Paz.

A Igreja Católica de mãos dadas com todas as pessoas de boa vontade deseja refletir sobre o porquê do aumento da violência em nosso país e encontrar ações na busca de novas relações que conduzam a uma convivência justa e fraterna, isto é, de paz.

Vivemos no meio da violência, vista e experimentada na morte de pessoas por crimes banais, na justiça com as próprias mãos, na insistência da diminuição da maioridade penal, nas manifestações e destruição do patrimônio público e particular, na falta de diálogo e convivência respeitosa. É nítido que as relações fundamentais foram rompidas.

Vivemos no meio da violência, no desrespeito as leis de trânsito que matam e mutilam pessoas, na violência contra a mulher, os jovens, na violência do sistema financeiro. Além disso, vemos uma violência causada pela corrupção que atinge os pobres, doentes, marginalizados. A violência nos assusta! Pois a lista é grande.

Recordamos ainda a situação do tráfico humano no país, abordado pela Campanha da Fraternidade deste ano, onde a Organização Internacional do Trabalho (OIT) atenta para o aumento de vítimas do tráfico humano que somam 21 milhões de pessoas, crime esse que se expressa no trabalho forçado, no tráfico para a exploração sexual, no tráfico de órgãos, e adoção ilegal. É também a terceira atividade criminosa mais rentável do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e do tráfico de drogas e movimentando mais de 32 bilhões de dólares  anual. Os dados são alarmantes; de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, o tráfico de pessoas faz cerca de 2,5 milhões de vítimas por ano, incluindo homens, mulheres e crianças, mas principalmente pessoas vulneráveis e carentes, psicologicamente e de recursos.

A violência não acontece por acaso. Ela é uma consequência. Ela é uma reação à falta de justiça, à desintegração da família e das instituições, à educação sem valores e princípios fundamentais, ao individualismo crescente, a adoração do dinheiro, a valorização distorcida do ter, do poder.  Existe um vazio de valores vitais, no âmbito da família e da sociedade, mas principalmente no coração das pessoas. Esse sentimento desperta para a violência e destrói a dignidade da vida e a liberdade do ser humano. Mas, a violência não se combate com a violência. A violência é vencida com atitudes de paz, como entrevemos em Jesus na Cruz. O Papa Bento XVI nos recorda que a Cruz de Cristo é, para nós, o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e principalmente o amor ao outro. O Papa Francisco também tem sido um pregador assíduo de uma paz possível entre as pessoas. Uma paz para todos. A fé desperta para uma acolhida que supera a força dos violentos, transmitindo a graça e o poder do Reino de Deus! As pessoas de boa vontade, sejam quais forem as suas motivações, também proclamam e incentivam a construção deste caminho da paz que gera a fraternidade.

É preciso desarmar os corações para armar uma sociedade melhor.

Vamos aproveitar os diversos meios que temos à disposição para promover a paz. Poderíamos começar com o mais simples e mais próximo: na nossa família, na nossa comunidade, no nosso ambiente de trabalho. A paz se constrói com gestos, palavras e atitudes concretas. Há necessidade que a fraternidade seja descoberta, experimentada, anunciada e testemunhada.  A paz concreta para nós é fruto de uma espiritualidade, de uma comunhão com Deus, de um desejo de vivermos profundamente a vontade de Jesus o Príncipe da Paz: ¨Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei¨, um amor doação, entrega e perdão.

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias

Administrador Apostólico Diocese de Colatina

Altar: Sinal do próprio Cristo

E o Altar? Qual o zelo e atenção que lhe dedicamos? Qual seu significado para nós? Estes e outros questionamentos queremos abordar e iluminar conforme a mais antiga Tradição da Igreja e a Instrução Geral do Missal Romano, pois o altar deve ocupar um lugar no espaço litúrgico, onde seja de fato o centro para onde espontaneamente se volte à atenção de toda assembleia.

¨O altar é a mesa própria para o sacrifício e o banquete Pascal¨ (IGMR, 3).

 

Portanto, não se trata de uma mesa qualquer, trata-se de uma mesa sagrada para a Igreja. E mesmo que pudéssemos celebrar o memorial de Cristo numa mesa que não tenha sido dedicada para este fim, é sempre recomendável que a comunidade cristã tenha um altar estável, visível, em proporção ao espaço litúrgico, para celebrar a Ceia do Senhor.

 

Por isso, ao entrarmos numa Igreja e sempre que passarmos diante do altar, devemos nos acostumar a voltar nosso olhar e atenção para ele, e saudá-lo com uma inclinação de corpo ou de cabeça, em atitude de respeito e terno amor para com Jesus Cristo, Pedra viva que sustenta a comunidade cristã. A inclinação é um sinal de veneração e humildade que deve ser feito por todos os fiéis, em todos os momentos, não somente nos horários da celebração.

 

É claro que essa centralidade do altar deve ser levada em conta também durante as celebrações com alguns gestos litúrgicos: com a inclinação do corpo quando passamos por ele, a incensação e o beijo. Uma vez que a consciência da Igreja é a de que  ¨o altar é o próprio Cristo¨, a Igreja que é sua Esposa, ao encontrar-se com Ele no início da missa, em gesto de adoração, beija-o. É, portanto, um beijo esponsal.

 

Se o altar é o centro da assembleia reunida, devemos evitar  que a cadeira da presidência e os assentos dos acólitos e ministros extraordinários sejam colocados na frente dele, pois os ministros ficando de costas para o altar, enfraquecem sua centralidade. Ele é um sinal sacramental e para demonstrar isso, o altar de nossas Igrejas é ¨dedicado¨ em solene celebração.

 

Outro sinal significativo vem desde os primeiros séculos da Igreja onde era costume que os altares fossem construídos sobre o túmulo dos mártires. A Igreja manteve essa tradição e conserva até hoje o gesto de colocar no altar, algumas relíquias dos mártires. Havia uma consciência de que os corpos daqueles que deram seu sangue a exemplo de Jesus honram o altar do Senhor. Como as relíquias dos santos mártires são difíceis de ser encontradas, a Igreja prevê que possam ser utilizadas também relíquias dos santos. No altar de nossa Catedral (Colatina/ES) estão despositadas as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, Beato Cláudio de La Colombiére, São Geraldo Magela, Santa Terezinha do Menino Jesus e dos mártires São Sebastião, Santa Inês e Santa Maria Gorete.

Esse sinal significa que o sacrifício de Cristo ¨cabeça¨ estende-se no sacrifício dos membros do corpo, não apenas aos declarados pela Igreja como santos, mas, a todos os batizados, portanto, cada um de nós.

 

O altar cristão que é sinal do verdadeiro altar, que é Cristo, é também um sinal daquilo em que nós cristãos devemos nos transformar. Somos, de certa maneira, ¨altar espiritual¨. Por isso que após a preparação da mesa no ofertório, logo que as espécies do pão e do vinho, a cruz, o altar e o que preside a celebração são incensados, segue-se a incensação de toda assembleia. Terminada a celebração, devemos cuidar para que o altar não se torne uma mesa qualquer onde são colocados: objetos litúrgicos, folhetos, presentes, vasos….pois o altar continua sendo um sinal sacramental.

 

Como vemos, é preciso cuidar do altar de maneira que ele possa evocar, de verdade, o mistério de Cristo e da Igreja, pois, o altar é a mesa própria para o sacrifício e o banquete Pascal. Não percamos o foco, pois o altar é o sinal do próprio Cristo e sobre ele, ao celebrarmos a Eucaristia, somos convidados também a fazermos de nossa vida um altar onde nos oferecemos com Jesus, oferta perfeita do Pai. Participemos, assim, em comunhão do Mistério Pascal em torno do Altar do Senhor  com o máximo respeito e veneração, por tudo aquilo que ele significa para a Igreja.

 

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias.

Administrador Apostólico da Diocese de Colatina.

 

Por uma Igreja missionária e evangelizadora

Sabemos que a sociedade moderna atravessa um momento de crise profunda de fé, embora uma grande parte da humanidade ainda tenha fome e sede de Deus. Podemos nos perguntar, quantos são hoje os cristãos no mundo inteiro? As estatísticas religiosas não são muito exatas, porque em muitos países os cristãos são perseguidos ou os governos não incluem a religião no censo. Aproximadamente, estima-se o número atual de cristãos em dois bilhões, menos da terça parte da humanidade, estimada em 7,2 bilhões de pessoas. Entre os cristãos, os católicos são a maioria, superando um bilhão. Mas quantos destes que foram batizados na Igreja Católica são realmente evangelizados e são discípulos missionários de Jesus Cristo? Quem vai evangeliza-los? E o mais desafiador e preocupante, é a outra grande parte da humanidade que ainda não ouviu falar do Evangelho.

É certo que não é suficiente percebermos a necessidade da missão, mas é fundamental uma tomada de consciência para que toda a Igreja, e nela cada batizado, seja o sujeito da missão, e reconheça a necessidade de uma formação permanente. Fica, pois, muito claro que toda a Igreja tem a necessidade urgente de ser missionária.

Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo, muitas vezes, sua pertença eclesial a momentos rituais. É preciso ser um fermento na massa, embora minoria, falando e vivendo os valores do Evangelho para transformar as estruturas da sociedade.

Nossa fé cristã deve ser interiorizada e contextualizada  em nossa vida e nos ambientes em que vivemos. Isto pode parecer evidente  desde o ponto de vista teórico, porém, devemos iniciar uma análise objetiva do modo o qual o mandato missionário de Cristo é cumprido por nós, para ver quanto é difícil passar da palavra  à ação, e abandonar os antigos métodos e  práticas que eram instrumentos poderosos para a evangelização no passado, porém que não falam aos novos desafios de um mundo globalizado, em mudança de época.

O documento de Aparecida nos ilumina, afirmando que  o ponto de saída para uma eficaz evangelização, deve ser a partir de Jesus Cristo. Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guarda-lo para si; precisa anuncia-lo. É necessário um novo impulso missionário, vivido como compromisso diário das comunidades e de cada um.

O Concílio Vaticano II, inspirado pelo Papa João XXIII e por Paulo VI, decidiu olhar para o futuro com um espírito novo e abrir-se à cultura moderna. O Papa Francisco em uma de suas entrevistas, afirmou que os padres conciliares sabiam que essa abertura passava pelo ecumenismo religioso. ¨Eu tenho a humildade e a ambição de o querer fazer¨. Certamente é preciso agregar e somar forças, para superar essa realidade tão desafiadora, é preciso também, uma conversão pastoral, pois,  desde o Concílio pouco foi feito nesta direção.

É urgente que cada cristão sinta-se interpelado por esta tarefa que a identidade batismal lhe confia, que se deixe guiar pelo Espírito, segundo a própria vocação, na resposta a tal missão.

Seja missionário!  Seja evangelizador!

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias.

Bíblia, vida cristã e eleições

A celebração anual do mês da Bíblia completa 43 anos. O dia é 30 de setembro, dia de São Jerônimo, o santo que traduziu a Bíblia escrita em hebraico e grego para o Latim no ano 400 d.C.

A “revolução” provocada por ele com a tradução da Bíblia apenas se repetiu no sec. XX quando o Concílio Vaticano II permitiu que os leigos tivessem acesso a ela e mais recentemente com a publicação digital que praticamente tornou o acesso à Bíblia irrestrito.

Mas, não basta o acesso à Bíblia. É importante que a Palavra de Deus se torne a alma de toda a vida e pastoral da Igreja e de cada cristão. Para isso o Papa Bento XVI escreveu a Exortação Apostólica “Verbum Domini” e recentemente o Papa Francisco a “Evangelli Guadium” ambas contendo motivações que incentivam os fiéis a caminharem fundamentando suas opções e história tendo como base os ensinamentos bíblicos e inspirados na história da Salvação.

Neste mês da Bíblia de 2014 vamos aprofundar o discipulado missionário a partir do Evangelho de São Mateus, tema que a Igreja na América Latina e Caribe vem buscando desde a Conferência de Aparecida. Evangelizar requer familiaridade com a Palavra de Deus e o primeiro passo é ser perseverante na leitura e meditação dos textos sagrados. Como estamos às vésperas de uma nova eleição é bom lembrarmos que a Bíblia nos indica o comportamento cristão em todas as dimensões da vida incluindo a política que, como bem disse o Papa Francisco a um estudante italiano, “Envolver-se na política é uma obrigação de todo cristão”. “O período eleitoral constitui-se em momento propício à participação dos cristãos, de quem se espera consciente atuação no processo decisório sobre aqueles que conduzirão o país”, acrescentou o Papa. Por isso, aos que participam da eleição como candidatos e aos que votam, deixem que a Palavra de Deus os ilumine. Não busquem interesses pessoais, mas o bem comum para que seu voto ou seu mandato seja uma manifestação da vontade de Deus para seu povo.

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias

Administrador Apostólico de Colatina/ES.

A vocação diaconal

Quero partilhar neste mês de agosto, um assunto que vem despertando o interesse de muitas pessoas, pois venho recebendo pelas redes sociais, muitos questionamentos com relação à vocação diaconal. Para uma boa compreensão, é preciso ter claro o sentido vocacional, pois o diácono permanente não é um funcionário da Instituição.

O Papa Bento XVI, na sua Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, em 2012, destacava que toda vocação ¨é um dom do amor de Deus¨. Os Evangelhos apresentam a vocação como um belo encontro entre a pessoa humana e Deus, que nos amou por primeiro. São Paulo, ao escrever aos cristãos de Éfeso anunciando a vida plena em Cristo, eleva um Bendito seja Deus, pois Ele ¨antes do início do mundo nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis diante Dele no amor¨ (Ef 1,4). Portanto, fomos amados e escolhidos por Deus, antes do nosso nascimento.

A vocação diaconal está ligada ao Cristo-Servo, aquele que ¨não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos¨ (Mc 10,45), que na linguagem semítica, significa por todos. De fato, os diáconos, sendo um dom de Deus à sua Igreja, são marcados pelo caráter do serviço e gratuidade/voluntariado.

Em Atos 6,2 os apóstolos discutiam ¨não está certo que nós descuidemos da Palavra de Deus para servir às mesas¨; o crescimento das comunidades gerava  tensões e conflitos internos. Muitos pobres não estavam sendo bem atendidos. Então os Doze convocaram uma assembleia e apresentaram uma solução concreta: descentralizar os serviços, escolhendo novos ministros. A comunidade aderiu a ideia, realizando uma eleição, onde os Doze confirmaram  os eleitos mediante a imposição das mãos. Surge assim, uma nova organização na comunidade,  o grupo dos Sete Diáconos (At 21,8) . Atualmente o  Brasil conta com 1.370 diáconos. Sempre foi norma de a Igreja Católica conceder o Sacramento da Ordem apenas aos homens. As ¨diaconisas¨ de que fala a Bíblia Sagrada não receberam imposição das mãos, mas apenas exerciam a ¨diaconia¨ (serviço) em suas comunidades.

 Atualmente, o ministério diaconal é exercido segundo as Diretrizes para o Diaconado Permanente da Igreja no Brasil, documento n.96, que define três âmbitos: 1º  o serviço da Caridade, pelo qual o diácono assume a opção preferencial e evangélica pelos pobres, marginalizados e excluídos da sociedade; 2º o serviço da Palavra, pelo qual o diácono se torna discípulo, ouvinte, servidor e mensageiro da Palavra, da Bíblia Sagrada; 3º o serviço da Liturgia exercido pelo diácono na celebração dos sacramentos ( Batismo e Matrimônio), na presidência das celebrações da Palavra e nas orações,¨ nutrindo-se constantemente da Eucaristia¨ (Diretrizes, n.65).

Os documentos de ” Santo Domingo ” esclarecem que o diácono permanente é o único a viver a dupla sacramentalidade, ou seja, da Ordem e do Matrimônio. Um não elimina o outro. A vida matrimonial é, portanto, vivida em sua plenitude. Esta é a razão pela qual a esposa precisa autorizar, por escrito e de viva voz, no momento da ordenação, que o Bispo tem a sua autorização irrevogável para ordenar seu marido.
Quanto à vida social, ele deverá vive-la plenamente na dimensão da Família, Trabalho e Igreja, sem que uma prejudique a outra. O diácono por viver tais dimensões, terá um vasto campo para evangelização, sendo clero a atuar no mundo de maneira a promover em sua missão, profundas transformações na vida da sociedade.

Deste modo, todos nós, de acordo com os dons recebidos da bondade de Deus, somos convidados  a discernir qual é o chamado que o Senhor nos faz, através de uma caminhada concreta na comunidade e de um acompanhamento vocacional.

Dom Wladimir.

Amado Povo de Deus da Diocese de Colatina

Eu gostaria de transmitir aos fiéis da diocese de Colatina minha alegria em ser nomeado administrador apostólico, venho de coração aberto, pretendo acolher a todos.

 

Incentivo a cada um continuar exercendo a sua função, seu ministério, seu trabalho pastoral, participando das comunidades, abraçando a Igreja, continuando a ser aquilo que estavam fazendo para que possamos fazer uma boa transição.

 

É um tempo de espera, de preparação, oração, pedindo a Deus que ele envie um pastor santo, amigo, próximo, assim como dom Décio e com uma oração ativa a serviço da comunidade. Estamos aqui para servir, para somar, uma força a mais aqui nesta caminhada.
Deus abençoe a todos!

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias

Administrador Apostólico

Diocese de Colatina