12 de Novembro de 2018

Novo compêndio reúne trechos e análises das cinco conferências gerais do Celam

Publicado por Fonte: CNBB

O episcopado latino-americano já realizou, depois do Concílio Vaticano II, cinco grandes conferências do Conselho Latino Americano e caribenho. A última aconteceu em 2007, em Aparecida (SP) e contou com a participação do Papa Emérito, Bento XVI. Duas editoras católicas brasileiras organizaram um volume nos quais apresentam as grandes linhas dessas cinco conferências.

Segundo informam as editoras, a obra realiza um itinerário sintético e analítico sobre as cinco Conferências do episcopado latino-americano e do Caribe. O objetivo  não é apresentar os textos das Conferências na íntegra, mas trazer para o leitor análises, perspectivas e prospectivas. Seus editores consideram ser leitura imprescindível para estudantes e pesquisadores e é uma sólida referência, abordando grandes temas pastorais e a recepção local do Concílio Vaticano II e elencando os participantes e as palavras-chave de cada Conferência.

Primeira Conferência

Informações de uma enciclopédia livre mostram que a Primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se no Rio de Janeiro de 25 de julho a 4 de agosto de 1955, no Colégio Sacré Coeur. A reunião eclesial fora convocada por iniciativa direta da Santa Sé. O organismo responsável por auxiliar o Vaticano na preparação do evento foi a CNBB, que havia sido criada em 1952 e teve como seu primeiro secretário, nesse período, Dom Hélder Câmara.

O Papa Pio XII enviou uma carta para ser lida na abertura da Conferência e que foi tomada como horizonte de orientação dos trabalhos dos bispos. Em seu texto, intitulado Ad Ecclesiam Christi, Pio XII faz um elogio à América Latina, afirmando acreditar que “dentro em pouco”, o continente Latino-Americano “possa achar-se em condições de responder, com vigoroso impulso, à vocação apostólica que a Providência divina” parece ter-lhe “designado”. Vocação essa de ocupar “lugar de destaque na nobilíssima tarefa de comunicar também a outros povos, no futuro, os ansiados dons da salvação e da paz”.

Segunda Conferência

José Oscar Beozzo, em seu estudo “Medellin: inspirações e raízes”, informa: “A II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, aberta por Paulo VI, em Bogotá, a 24 de agosto de 1968 e realizada, em Medellin, de 26 de agosto a 6 de setembro do mesmo ano, encontra suas raízes e inspiração, de uma parte, nos clamores e esperanças do povo latino-americano e caribenho e, de outro, no Concílio Vaticano II (1962-1965), e nos processos e sonhos por ele desencadeados na vida da igreja”.

E continua: “Espiritualmente, Medellin, deita raízes no grupo da ‘Igreja dos Pobres’ que se organizou já na primeira sessão do Concílio, com alguns bispos da Europa, da África e da América Latina, por inspiração de Paul Gauthier que fora professor no seminário maior de Dijon na França e partira para Nazaré, onde levava vida de pobreza como operário na imitação de Jesus Carpinteiro. Ao final do Concílio, este grupo propôs o Pacto das Catacumbas, em que se comprometia em levar vida de pobreza e de compromisso com as lutas dos pobres e solidariedade em suas necessidades e penas“.

Terceira Conferência

Uma das mais conhecidas enciclopédias virtuais informa que a terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano foi realizada em Puebla de los Angeles, no México, em 1979.  Santo Paulo VI convocou oficialmente a III Conferência no dia 12 de dezembro de 1977, sob o tema: ‘Evangelização no presente e no futuro da América Latina’. O pontífice assinalou que ela seria celebrada de 12 a 18 de outubro de 1978, mas o seu falecimento e o breve pontificado do São João Paulo I fizeram com que a Conferência fosse adiada, até ter lugar de 28 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979. Participaram 356 delegados, sendo previstos inicialmente 249, 221 dos quais eram bispos.

A presidência da Conferência de Puebla esteve a cargo de Sebastião Cardeal Baggio, prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina; de Dom Aloísio Cardeal Lorscheider, arcebispo de Fortaleza, presidente da CNBB e presidente do CELAM; e de Alfonso López Trujillo, arcebispo coadjutor de Medellín, na Colômbia e secretário-geral do CELAM.

Quarta Conferência

Na apresentação das conclusões do encontro em uma publicação no Brasil pode-se ler: “A IV Conferência Geral do Episcopado Latino-americano foi celebrada em outubro de 1992. Esta Conferência, convocada, inaugurada e presidida pelo Santo Padre João Paulo n, trabalhou em calorosa e profunda comunhão com o Vigário de Cristo, cujo Discurso inaugural constituiu ponto fundamental de referência e de convergência para os Pastores participantes. Deve-se recordar que a IV Conferência se celebrou trinta e sete anos depois da Conferência do Rio de Janeiro, vinte e quatro depois da de Medellín e treze depois da de Puebla”.

Os Pastores reunidos em Santo Domingo recolhem e atualizam a rica herança do passado, em um momento ímpar: quando se recordam os primeiros quinhentos anos da evangelização do continente e quando se encerra um milênio cristão e se inicia outro. Também quando nossos povos, duramente golpeados por diversos problemas, esperam da Igreja uma palavra de esperança”, registra o redator do texto.

Quinta Conferência

João Batista Libânio, em artigo publicado na revista Vida Pastoral, informa: “A Igreja na América Latina realizou em Aparecida, de 13 a 31 de maio de 2007, a 5ª Conferência Geral do Episcopado. Reunião original do continente, diferente de concílios ou sínodos regionais, porque versa sobre pastoral, diverge também do sínodo continental, criado por João Paulo II, porque os bispos publicam, eles mesmos, o texto e não confiam ao papa a redação”.

A conferência procurou responder à pergunta: como ser Igreja na atual situação da América Latina? Para tanto, analisou a realidade social, econômica, política, cultural, religiosa e eclesial do continente. Confrontou-a com a perspectiva teológica escolhida, a saber, como ser discípulo e missionário em tal contexto histórico. E terminou com propostas de ação pastoral. Assumiu-se, por conseguinte, o método ver-julgar-agir”, informa Libânio.

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