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Celebrada missa em memória do mártir capixaba Francisco Domingos Ramos

Na última terça-feira (5/2), foi celebrada uma missa na Paróquia São Domingos para fazer memória do “mártir da terra” Francisco Domingos Ramos. A data de 5 de fevereiro marca os 31 anos da morte de Francisco, que foi assassinado em Pancas, numa emboscada. Francisco era cristão católico atuante e lutava pela causa da terra e da agricultura familiar, o que despertou o ódio de ricos e fazendeiros da região.

O padre Paulo Mascarenhas presidiu uma missa in memoria, na Comunidade de Santa Cruz, localidade de Rancho Fundo, em São Domingos do Norte, contando com a presença da viúva de Francisco, dona Maria, do seu filho Ronaldo Ramos e outros parentes, todos ainda consternados com a barbárie e indignados com a impunidade desse crime brutal. Também participaram da celebração importantes representações sociais de municípios vizinhos, líderes sindicais, comunitários, agricultores e fiéis das diversas comunidades da paróquia.

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Na homilia, padre Paulo destacou a coragem e a compaixão de Jesus Cristo na defesa da vida e dos direitos humanos para que as pessoas encontrassem nele a força necessária para restaurar a saúde e a paz. O padre exortou todos os fiéis a buscarem em Jesus Cristo a razão para continuar a luta pela vida e pela justiça.

Francisco Domingos Ramos

Nascido em 18 de outubro de 1954, Francisco Domingos Ramos cresceu no município de Pancas, no Espírito Santo. Era meeiro e ficou conhecido em todo o Estado pela sua corajosa atuação em defesa dos trabalhadores rurais.

Militante nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Francisco passou a maior parte da sua vida como membro ativo e líder de comunidade. Com seu espírito de liderança, criou o primeiro grupo de trabalhadores do município de Pancas e se indignava com a exploração e a opressão do homem do campo.

Reunia-se com trabalhadores rurais nas comunidades para promover momentos de formação e conscientização. Foi a partir dessa atuação que Francisco começou a receber ameaças. Mesmo assim, ele não se intimidava, dando continuidade ao seu trabalho. No dia 5 de fevereiro de 1988, Francisco voltava para sua casa, depois de uma reunião na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pancas. Nessa ocasião, foi interceptado e assassinado brutalmente. Ele tinha 33 anos, era casado e pai de dois filhos.